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CAMPEONATO BRASILEIRO DE XCO 2008: JAQUELINE E RUBINHO VÃO Á PEQUIM. PSCHEIDT LEVA TÍTULO BRASILEIRO

Em uma prova sensacional, foram definidos os campeões brasileiros e os nossos representantes nos Jogos Olímpicos, em agosto

A cidade de São Bento do Sul, Santa Catarina, tão cedo não esquecerá este dia 13 de julho de 2008. Em uma das melhores e mais importantes provas dos últimos anos, Rubens Donizette e Jaqueline Mourão foram definidos como os representantes brasileiros nos Jogos Olímpicos de Pequim. De quebra, Jaqueline – que venceu esta etapa única - conquistou também o título brasileiro, juntamente com Ricardo Pscheidt, que venceu a prova, sagrando-se o novo campeão brasileiro.
O tempo ajudou e o frio da manhã logo deu lugar ao sol, que abrilhantou ainda mais a prova, que foi quente do início ao fim. No masculino, Rubinho surpreendeu quem achava que apenas administraria a largada, já que sua vantagem para a seletiva era grande. Mas, como de costume, largou muito bem, puxando o pelotão, com Pscheidt logo atrás. Ainda na primeira volta, Pscheidt tomou a ponta. A partir daí, ambos protagonizaram uma disputa eletrizante até o fim. Fecharam a primeira volta com Rubinho na frente e Pscheidt na sua roda. 17 segundos depois, vinha Robson Ferreira, seguido por Góes, Avancini e Edivando Souza Cruz.

Rubinho e Pscheidt travaram um grande pega, roda a roda, revezando-se na liderança. Hora era Rubinho na frente, hora era Pscheidt. A torcida – que compareceu em ótimo número – apoiava o tempo todo Ricardo Pscheidt e Gilberto Góes, os atletas da cidade. Rubinho abriu a última volta na frente e, no final, Pscheidt assume a ponta e vence a prova, para o delírio da galera que lotou o local da prova, nas dependências do ginásio Annes Gualberto. “Sabia que o Rubinho estava muito bem, depois da primeira volta comecei a fazer alguns ataques, mas foram inúteis. Na metade da prova pro final comecei a sofrer bastante pra andar no ritmo dele e até achei que não daria pra vencer, mas, nas últimas duas voltas eu percebi que ele começou a sentir um pouco. Eu estou feliz por ser campeão brasileiro novamente, mas eu quero deixar os meus sinceros parabéns pro Rubens Donizette que vai pras Olimpíadas por merecimento, porque é o atleta que melhor está andando este ano”, explica Pscheidt. O sonho da vaga olímpica

Rubinho chegou em segundo. “Na última volta, pegou costas, pegou perna. No final da subida ele atacou e abriu uma pequena vantagem. Ele atacou muito no começo, eu deveria ter deixado ele atacar e ir mais tranqüilo, porque eu tentei ir nas fugas dele e acabei me desgastando no fim”, analisa Rubens. Porém, com este resultado, a tão sonhada vaga olímpica foi garantida. “Estou muito feliz de representar o Brasil, vou dar de mim o melhor. Quero agradecer muito aos meus patrocinadores, que acreditaram e investiram em mim. Faz 12 anos que eu estou no Mountain Bike e desde que eu comecei, botei na cabeça que eu queria participar de uma Olimpíada, e hoje eu estou realizando este sonho com muita garra”, diz Rubinho.

Enquanto os líderes disparavam na frente, a disputa no segundo pelotão seguiu acirrada. Na terceira volta, Edivando pulou para o terceiro lugar, que manteve até o fim, em um grande pega com Robson, acabando com suas chances de ir a mais uma edição dos Jogos Olímpicos. “Pra mim, foi uma superação esta competição. Na última volta, senti um pouco de tontura, estava esgotado, no meu limite. Mas, fiquei contente pelo resultado, pela dureza da prova. O Pscheidt está de parabéns, ele fez uma competição perfeita. O Rubinho também andou muito forte e garantiu a vaga pra Olimpíada. O brasileiro sempre vai ser uma competição de alto nível”, comenta o terceiro colocado.


Enquanto o pega no masculino foi acirrado, no feminino, Jaqueline Mourão largou na frente e foi aumentando volta à volta a diferença para suas adversárias, Roberta Stopa e Érika Gramscelli. Jaqueline imprimiu um ritmo fortíssimo, mesmo sabendo que o quarto lugar seria o suficiente para garantir um lugar em Pequim. No final, com mais de 12 minutos de vantagem, Jaqueline sagrou-se campeã brasileira de 2008 e garantiu mais uma vez uma participação em Jogos Olímpicos, ela que já esteve em Atenas/2004. “Aqui eu sabia que ia estar no meu fuso horário, eu fiquei um mês e meio me preparando bem. Estou investindo muito no treinamento mental agora na reta final pras olimpíadas. Quero agradecer a todo pessoal durante o percurso, muito obrigada pela torcida. Queria agradecer o Verner que foi o idealizador do Campeonato Brasileiro e que a fez a pista do verdadeiro Mountain Bike. Estão de parabéns pela organização”, diz, emocionada, a campeã.

Jaqueline confirmou que esta foi a sua última prova no Brasil. “Com certeza é a minha última prova. Eu queria sentir cada gostinho de cada curva, de cada frenagem, de cada passagem de marcha, de tudo funcionando perfeito. A vontade é grande de representar bem o meu país e se Deus quiser nas olimpíadas a gente vai andar mais. Acho que eu quero deixar isso pras meninas mais novas, um exemplo de muita determinação, muita garra, muita vontade e de acreditar nos seus sonhos, acreditar que é possível com dignidade, e acima de tudo acreditar em Deus. Essa temporada tem sido abençoada”, finaliza.Em segundo lugar chegou Érika Gramiscelli, que travou uma grande disputa por toda a prova com Roberta Stopa. “Várias coisas se sucederam durante a prova, perdi o freio dianteiro. Dou os parabéns a Jaqueline, por ela ter conseguido andar bem, não ter tido nenhum problema e que ela vá lá e represente o nosso país, porque, afinal de contas eu ajudei a conquistar essa vaga aí também. Até mesmo porque, em 2012, quem vai estar nas Olimpíadas sou eu e sem dúvida nenhuma, a gente vai estar contando aí com mais experiência”, completa Érika.

Roberta, a terceira colocada, ficou satisfeita com sua posição. “Tive um pneu furado abrindo a sexta volta e com certeza atrapalhou. Se não fosse o pneu, seria segunda, estava muito bem. Mas estou feliz com a terceira posição, deu pra ver meu físico, a minha performance durante a prova. Acho que a Jaque, esse lance de estar lá fora, de correr provas lá fora, ter um ritmo de prova, é diferente. Seria muito bom, ou a gente estar indo pra lá competir algumas provas pra melhorar esse ritmo, essa performance, ou até mesmo a Copa Internacional, virar uma Copa do Mundo e trazer os gringos pra cá”, conclui.

Enfim, foi um dia inesquecível para a cidade. Esta foi a principal prova do calendário do XC brasileiro este ano, mostrando toda a tradição dos catarinenses em organizar provas dessa importância.

FONTE: AMIGOS DA BIKE





FOTOS: PEDAL.COM.BR

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